10.5.06

Dia Das Mamães, A Releitura

Dia Das Mamães, A Releitura

Prometi, a mim mesmo, que nunca escreveria sobre o Dia das Mães. É um assunto óbvio demais. O que ainda há para se escrever sobre o Dia das Mães? Hoje, no entanto, um sobrinho me pegou no contra-pé, apelando para o lado sentimental, me convenceu a escrever sobre o óbvio. Como fazê-lo de forma a não ser tão óbvio, nem cair muito no piegas? Os que não acreditam mais no Ancião da Lapônia, nem que Oryctolagus Cuniculus (coelho mesmo) põe ovos, sabem que essas efemérides são oportunidades para vender, desde telefones celulares até eixos cardã de caminhões. É lógico, e justo, que as crianças preparem presentes artesanais e homenagens às mães ou àquelas que, de alguma forma as substituíram, ou tentaram honestamente. Papai sai com os filhos, vai ao shopping, no sábado à tardinha, para comprar o tão sonhado (por ele) esmeril com sete velocidades. Imaginem a cara de surpresa da mamãe ao recebê-lo! No domingo, entregues os mimos e rendidas as homenagens, chega a hora do tão esperado almoço do Dia das Mães. Obviamente mamãe não vai cozinhar ou lavar a louça. Aí vem todas aquelas histórias de restaurantes com fila até a esquina, da oooutra quadra; garçons e garçonetes à beira de um ataque de nervos; papai e vovô começam a tomar uns aperitivos, além da conta, enquanto esperam; o galeto terminou e vão servir uns bifes grelhados, de músculo de dianteiro; a massa terminou e vai arroz no lugar; o único refrigerante que restou é Grude-Cola Light quente, etc, etc. Ao sair, lá pelas 19 horas, descobre-se que o sujeito que levou o carro não era um manobrista, e assim por diante. Nada de novo. São essas coisinhas que tornam único o ato de almoçar fora no Dia das Mães. Existem formas (eu não deveria divulgá-las, já que posso utilizá-las no futuro) de conseguir almoçar fora no Dia das Mães, sem todo esse sofrimento. A primeira, bastante simples, consiste em anunciar que, neste ano, teremos um brunch do Dia das Mães. Trata-se de uma mistura de café da manhã com almoço, coisa muito chique, inventada por alguém que queria reduzir o custo retirando uma das refeições. Como os hotéis geralmente servem o café da manhã até mais tarde – até às 10 horas, nas manhãs de domingo, marque o branch, num deles, para às 9h50. Chegando antes das 10 horas ninguém será expulso antes das 11h30. Peça ao papai e ao vovô para tomar os aperitivos ainda em casa, no brunch fica estranho. Se mamãe for bem saudável, sem problemas com varizes, sempre é possível deixá-la na fila de um restaurante, a partir das 9 horas. Depois, a medida que o pessoal for acordando, segue para o restaurante e presta as homenagens lá mesmo. Não esqueça de dar o celular antes, ensinando como usá-lo, assim poderá avisar quando chegar a vez. Pesquise nos jornais se há alguma festa de bodas de ouro, ou festa de encontro da família Fulano, programadas para esse dia. Se aparecer alguma, leve a mamãe e a família, e entre como penetra. Festas de encontro de famílias são as mais indicadas, há muitas pessoas que não se conhecem. Sorria sempre e, se questionado, diga que é dos Fulano de Urucurituba , AM. Ainda é possível dançar e conhecer um monte de gente interessante. Só não deixe o vovô fazer discursos. Na impossibilidade de utilizar qualquer um destes métodos, use a imaginação e ouse, nesse dia vale tudo, só não vale deixar de almoçar fora.

Pronto, escrevi!

Paulo Roberto Heuser

2 Comments:

At domingo, 28 maio, 2006, Anonymous Anônimo said...

Oi.
Opinião de uma simples Mãe de cinco filhos e "quase" avó de Miguel que nasce em agosto.

É necessário fugir deste almoço fora de casa no Dia das Mães.
Mas o que acaba ficando é sempre uma inesquecivel aventura passar por esse dia....para cada mãe...entre choros e beijos....entre e-mails..e telefionemas....de mães antigas e novas e avós e trisavos.
Tenho conseguido marcar meu almoço especial em casa e reuno todos os fuilhos para jantar.....com qualquer restaurante que escolha bem vazio e privativo....quase fechado para minha familia..

Mas...fugir dos presentes escolhidos con ganto esmero, especialmente quando se tem 4 homens na casa...isso sim...ainda não consegui...e sou Mãe...a trinta e um anos. Não tem saida...nem solução.

Beijinhos...sempre um grande prazer ler seus escritos...não pare jamais de os publicar.

Mil beijos..de maya...em todo vc.

 
At quarta-feira, 16 agosto, 2006, Anonymous Anônimo said...

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