6.10.09

553 - Os Jogos Olímpicos

Imagem: Wikipedia

Os Jogos Olímpicos

Paulo Heuser

Os Jogos Olímpicos da Novíssima República iniciaram em 6 de outubro de 1897. Foi lá em Canudos, no sertão baiano. As tropas gregas federais haviam arrasado a cidade, após diversas tentativas de conquista, deixando milhares de cadáveres espalhados pelo arraial. Mel Gibson não teria feito melhor, teve sangue e tripa à vontade. As razões que levaram à Guerra dos Canudos são coisas há muito superadas, como a falta de terra e a má distribuição de renda. Os soldados da Olímpia do Rio de Janeiro, que participaram da derradeira e vitoriosa ofensiva, voltaram para casa e experimentaram um dos tradicionais costumes de governo, o calote. Ficaram sem soldo e foram morar no Morro da Providência. O morro acabou apelidado de Morro da Favela, em alusão àquele existente ao lado de Canudos, onde havia a planta favela. Então, prosperou o agronegócio, com as culturas extensivas de Erythroxylum coca, por parte dos gregos bolivianos, e de uma herbácea da família das Canabiáceas, ambas muito apreciadas pelos gregos republicanos que habitavam os baixios das praias da Olímpia do Rio de Janeiro. A estes vieram se juntar milhões de gregos de outros continentes que procuravam as maravilhas naturais da capital da Velha República, o sexo fácil e barato e os produtos pseudomedicinais derivados das plantas.

A acirrada concorrência entre os produtores agrícolas dos morros que cercavam a Capital iniciou a guerra civil, denominada Guerra dos Canudos II, lembrando a condição social dos gregos dos morros e um artefato utilizado no consumo dos produtos. Essa guerra se estende até os dias de hoje. Certa feita, o Zeus da Hora pensou numa forma de homenagear os gregos mortos em combate e idealizou encontros dos pseudo-helênicos de diversos morros. Como os conflitos entre os diversos grupos de gregos só cresciam, Zeus da Hora teve a idéia de organizar jogos com a participação de todos os habitantes dos morros que cercavam os baixios, quando haveria trégua. Os reis das Olímpias da Cidade de Deus, do Complexo do Alemão e da Rocinha, entre outros, pactuaram a paz temporária com o Zeus da Hora. Com o tempo, os gregos das demais Américas também se engajaram nos Jogos Pan-Helênicos-Americanos. O orçamento inicial, de 500 milhões de dracmas, logo foi estourado, tendo sido torradas 3,25 bilhões de dracmas, rombo coberto pelos gregos das demais regiões da Novíssima República. Findos os jogos, a guerra recomeçou.

Foi de Luiz XIII a iniciativa de convidar os demais gregos do mundo para participarem dos Jogos Olímpicos da Novíssima Era. Gregos da Europa, da Ásia, do Oriente Médio, da Oceania e da África darão as mãos aos gregos das Américas para uma nova trégua. Será tempo de novos esportes, como a corrida de Caveirão. Os gregos dos morros escoarão seus estoques reforçados de especiarias agrícolas. Luiz XIII colherá os louros. Os gregos construtores do baixio forrarão os bolsos com dracmas.

Todos serão felizes, e, acima de tudo, haverá paz.


N.A.: Se você já leu o texto, até aqui, provavelmente percebeu que ele não apresenta fontes históricas muito confiáveis. Ele sequer menciona Antônio Conselheiro. Portanto, desaconselho seu uso como fonte para trabalhos escolares.


prheuser@gmail.com

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27.8.08

450 - Ao apagar da chama

Foto: Wikipedia
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Ao apagar da chama

Por Paulo Heuser


A chama se apagou, o show terminou. Atletas e público voltaram para casa. Hora de voltarem às novelas e ao futebol. Serão quatro anos de preparo para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, tarefa já iniciada há muito. O Rio de Janeiro está de olho em 2016. Os Jogos Olímpicos transformam cidades, basta dar uma olhada em Pequim, que mudou de cara para receber os turistas olímpicos. Aprenderam a sorrir, esconderam o churrasquinho de au-au, reduziram a poluição e deram o maior show de pirotecnia já visto. Sem esquecer o show de conquista de medalhas, onde desbancaram as ex-potências do esporte. O Johnson virou Lingson.

Londres 2012 mostrará contrastes com Pequim 2008. Os londrinos não precisarão de muita tecnologia e de grandes manobras para obterem visibilidade maior do que 30 metros, pois o fog dá folga no verão, e muito da poluição foi controlado nas décadas anteriores. Os maiores índices de poluição ocorreram em 1952, quando três mil pessoas morreram em conseqüência do smog – smoke + fog. O que me deixa curioso, é o que farão no show de abertura. Um festival de rock, talvez, pois nisso eles são muito bons. O príncipe Charles fará um discurso de boas vindas, recheado com pequenas piadas britânicas. Aquele refinado humor britânico é muito bom. Ele provoca gargalhadas de golfe, além das palmas, é claro. A nação que deu Monty Python e John Cleese ao mundo merece respeito humorístico.

Esse humor britânico viria da comida deles. É impossível não rir dela. Londres tem seis mil restaurantes, representantes da culinária de mais de 70 países. Ainda bem, para eles e para os estrangeiros. O maior prodígio britânico foi a exportação de alguns hábitos alimentares às colônias. Até hoje os países anglófonos ainda compartilham do café da manhã da culinária inglesa. O café da manhã dos norte-americanos é a cara do café da manhã dos ingleses: bacon, ovos, salsichas e pão, tudo frito, inclusive o pão. Bombas de gorduras, porém saboroso. Já dos outros pratos, é melhor não saber.

Nem sempre foi assim. As primeiras colônias dos EUA, na Terra Nova (1583) e na Virgínia (1587), foram abandonadas devido à ferocidade dos índios revoltados com a culinária dos conquistadores. Trata-se de uma especulação, é claro. Eles não teriam suportado a kidney pie – torta de rim -, nem fish and chips – peixe e batatas fritas – com muito ketchup e enrolados em jornal. Como os ingleses ainda não conheciam a batata inglesa, nessa época, presume-se errado que fish and chips seria só fish com ketchup, enrolado no jornal. Ocorre que tampouco havia ketchup, nem jornais impressos. Isso causa algum abalo na hipótese. O jornal é imprescindível, pois é ele que dá gosto à coisa.

Os britânicos são cordiais, em geral, apesar da aparência um tanto empoada. À pergunta sobre um bom lugar para se comer por lá, terão a resposta na ponta da língua: “Oh, bem, eu tentaria Paris ou Roma!”. Nesse aspecto Rio 2016 dará de dez a zero neles. Afinal, no Rio poderão comer feijoada. E feijoada. E mais feijoada. Para variar, feijoadinha de feijão branco, em preparo para a próxima feijoada. Haja gás!

Caipirinha não é mais bebida típica do Rio de Janeiro. Muitos parisienses juram que ela foi inventada lá, principalmente os argelinos. Alguns venezianos pensam o mesmo, pois caipirinha é coisa da terra do carnaval, e, afinal, quem inventou o carnaval? Os gregos também dizem que foram eles, mesmo que lá a caipirinha seria feita com ouzo - bebida feita de anis. Rio 2016 será na base da feijoada – quero vê-los pronunciar isso – com gaibirrinia. Feijoada soará como feiioaada, em alemão, pois o jota pronuncia-se como o i. A propósito, o vê se pronuncia como o efe, e o dobre-vê como vê. Simples, não é? Por que a letra a está duplicada? Porque deve estar, ora.

Numa coisa Londres levará grande vantagem sobre Pequim 2008 e Rio 2016. Lá todos falam inglês, apesar de os norte-americanos não concordarem muito com isso. Até as crianças lá falam inglês! Nota-se que investem pesado no ensino de línguas.

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